sexta-feira, 24 de abril de 2015

Como se apresentar numa entrevista de emprego?

Estar vivo é um sacrifício. A não ser que você seja um gênio que saiba manejar dinheiro de uma forma que consiga sobreviver sem sair de casa ou se esforçar o mínimo possível, viver passa diretamente por achar um trabalho. Isso mesmo. O simples fato de você existir significa que, por grande parte da sua vida, as coisas serão assim: oito ou mais horas trancafiado em algum escritório ou em alguma loja para receber papéis retangulares no final do mês. O que possibilitará você a trocá-los por alimento em um lugar chamado "mercado" - onde mais outras pessoas ficam trancafiadas em pequenos espaços sofrendo por oito ou mais horas - para que, vejam que loucura, você possa continuar trancafiado oito ou mais horas naquele mesmo escritório.

Se você for burro como eu e não tiver qualificações, sobrará aquelas vagas que ninguém quer. Se você tiver alguma qualificação, ficará oito ou mais horas trancafiado em algum lugar um pouco melhor e ganhará alguns papéis a mais. Você me pergunta: como eu consigo qualificação? É muito simples: você passa mais ou menos 25 anos trancafiado em "salas de aula". Salas de aula são lugares onde eles adestram você a ficar horas a fio sentado atrás de uma mesa sem reclamar recebendo ordem. Se você reclamar, vão dizer que você tem algum tipo de distúrbio mental e vão forçar você a tomar pílulas que o farão agir de acordo com a engrenagem. Esse processo engloba creche, escola, faculdade e pós. Ao longo de toda essa insanidade você também faz alguns cursos paralelos para ser "melhor" do que os outros. E agora a loucura maior: para obter essas qualificações você deve desembolsar grandes quantidades daqueles papéis. Ou seja, você gasta a vida inteira papéis - eles chamam de "dinheiro" - para, depois, ganhar esses mesmos papéis e morrer cheio de papéis. A existência é maravilhosa, não é mesmo?

Eu, como você, "caro leitor" - usei esse termo ridículo para tentar me adequar aos clichês textuais jornalísticos e forjar alguma intenção que eu não tenho e obter aprovação - sou um desses sem ou com pouca qualificação. O que me faz ter de procurar vagas de empregos para pessoas que não têm talento. E é aí que nós chegamos ao título desse texto: como se apresentar numa entrevista de emprego? Antes de responder essa pergunta, deixe-me contar uma pequena história.

Recentemente eu mudei de cidade. Tinha uma quantidade razoável de papel guardado, o que me garante dois ou três meses de comida na mesa, contas pagas e aluguel pago na nova cidade. Mal cheguei na cidade e já fui à procura de algum lugar para ficar trancafiado por oito ou mais horas e receber os sagrados papéis no final do "mês". Não é absurdo como nós inventamos conceitos do nada? Nós fingimos que existem "dias", "meses", "horas" e "anos". Quando, na verdade, é tudo uma coisa só. É apenas uma enorme pedra girando em torno de uma bola de fogo no meio da escuridão. Nada além disso. Desculpem o desvio de caminho, vamos voltar ao assunto. Me candidatei em diversas vagas para pessoas sem qualificação. A maioria dos currículos que enviei foram para lojas de roupas para trabalhar como vendedor. Fui chamado para uma entrevista.

Cheguei no lugar com trinta minutos de antecedência. Um prédio bonito de alto luxo num dos bairros mais caros da cidade. Lá tinham diversas pessoas que ficavam trancafiadas naquele lugar que era um pouco melhor do que o comum. Eles tinham "qualificação". Fiquei trinta minutos sentado na belíssima e moderna sala de espera. Sofás confortáveis, uma televisão de última geração, uma mesa baixa de vidro com diversos jornais organizados em cima, parede marrom clara feita de algum material que imita madeira. O banheiro parecia de hotel, com acionamento da descarga automático e tudo. Depois de trinta minutos a "RH" da empresa apareceu. Sempre com aquele sorriso ridículo e falso, falando num tom como se tivesse conversando com crianças ou com um cachorro bonitinho que ela achou na praça. "Bom diaaa gente, vamos passar na salinha ao ladooo?".

Eu e mais uns dez candidatos nos dirigimos até a "salinha do lado". Uma sala grande com cadeiras de universidade encostadas contornando a parede (aquelas que tem uma mesinha embutida). Um grande projetor na mesa principal me fez concluir que teríamos "apresentações de slides". Depois de vários minutos a "RH" apareceu na "salinha do lado" e começou a falar sobre a empresa. "Objetivo", "missão", "história da empresa". Coisas que ninguém se importa. Todos que estão lá estão cagando para a empresa, para a missão dela e para os conceitos. Todos que estão lá só querem ganhar o papel no final do mês para comer, pagar as contas e esperar a morte em paz.

Depois da apresentação da empresa ela começou a passar slides sobre o "perfil do profissional". Eles estavam procurando por uma pessoa motivada, com espírito de liderança, criativa, comunicativa, pró ativa, que saiba trabalhar em grupo, inteligente, de preferência com um segundo idioma fluente, entre outras qualidades. Prontamente me levantei e fui em direção à porta, indo embora daquela sala. A RH questionou:

- Algum problema?

- Eu me candidatei para a vaga de vendedor, acho que entrei na sala errada. Essa aqui deve ser dos candidatos para a vaga de diretor.

Silêncio na sala. Alguém ri num canto.

É simples: com todas essas qualidades eu certamente não estaria naquela sala em busca de um emprego que ninguém mais quer que vai me pagar uma mixaria. Se eu tivesse todas essas qualidades, eu estaria trabalhando como CEO na Microsoft ou já teria criado a minha própria empresa. Se eu tivesse todas essas qualidades, eu não passaria boa parte do meu tempo de cueca, chinelos, sentado numa cadeira desconfortável, suando feito um porco, procurando emprego na internet. Não mesmo.

Você deve se perguntar: por que as coisas são assim? Por que as pessoas simplesmente não assumem a fragilidade de tudo na vida? Por que elas fingem não saber que quem está ali não tem qualquer qualificação, sobrou, foi deixado pra trás pela vida e agora busca uma mediocridade só para terminar de existir em paz? Digo "fingem não saber" porque elas sabem. E agora eu digo a resposta para o título desse texto: tudo na vida é aparência, demagogia e mentiras. Tudo. Como se apresentar numa entrevista de emprego? Minta. Minta que você é sensacional. Minta que você tem todas as qualidades - mesmo que, se você as tivesse, você não estaria atrás de emprego.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Diploma de jornalista 1

Por favor. Até quando vocês, estudantezinhos de jornalismo, ficarão compartilhando essa merda de notícia da volta da obrigatoriedade do diploma de jornalista? Vocês não percebem que compartilhando a notícia de forma histérica vocês deixam transparecer toda a insegurança de vocês em relação a qualidade do curso e da profissão?

O diploma ser obrigatório - ou não - não altera rigorosamente em nada a tua profissão. Simplesmente porque um dono de empresa jamais irá contratar um sujeito sem diploma pra trabalhar na empresa dele. Além disso, é um absurdo se exigir diploma para essa profissão. Não é como um médico ou advogado - como alguns tansos (professores, diretores e alunos) da faculdade de jornalismo cismam em afirmar. É um ato de arrogância impressionante achar que o jornalismo pode ser comparado a medicina ou engenharia. Jornalismo é arte, talento. Dom natural. É um ato de insanidade obrigar o diploma para um cara que nasceu para o jornalismo. 


Exigir diploma de jornalista é o mesmo que exigir diploma para jogador de futebol. Essa manifestação intensa de vocês só demonstra tudo o que eu penso sobre essa profissão e seus "estudantes". São todos medíocres e não se garantem. Querem que algo exterior afirme a qualidade das suas escolhas. Sim, porque o sujeito que está ciente da sua qualidade e do seu potencial está CAGANDO e andando se o diploma é obrigatório ou não. Parem com essa loucura, com esse exibicionismo barato. Estudem, concluam esse curso fraquíssimo e trabalhem. Pronto. Se surgir um indivíduo fora de série no planeta que seja capaz de trabalhar no jornalismo sem diploma, deixe ele trabalhar sem diploma. E caso ele não tenha essa qualidade toda que aparentemente ele tinha e, assim, cometa erros graves, sabe o que vai acontecer com ele? Será demitido e, se quiser continuar na profissão, vai ter de frequentar a faculdade. Tudo muito simples assim.

A obrigatoriedade do diploma para nós "estudantes" de jornalismo é inútil. No fim das contas, é só um mimo para massagear o ego dos inseguros que frequentam esse curso.

domingo, 24 de junho de 2012

Uma Odisséia no Espaço





Leiam: http://globoesporte.globo.com/rs/noticia/2012/06/flamenguistas-sao-agredidos-por-gremistas-em-porto-alegre.html


‎"- Quando o táxi estava no meio da Azenha, um torcedor do Grêmio percebeu que havia quatro torcedores do Flamengo no veículo e começou a dar socos e correr atrás do carro. O táxi foi cercado por cerca de 30 gremistas que quebraram os vidros, abriram as portas e agrediram todos que estavam dentro com chutes e socos."

Pelo amor de deus, isso é ou não é a reprodução exata da cena do filme Uma Odisseia no Espaço quando um grupo de macacos encontra outro num determinado território e começam a persegui-los histericamente?

E é bom deixar claro que não interessa a cor da pele de quem fez isso. São macacos de qualquer forma. Burros. Ignorantes. Imbecis. Fanáticos malucos. E aqui já cabe outra observação: tanto se fala que o fanatismo religioso é um grande problema, mas eu pergunto: quantas vezes vimos algo do tipo cometido por religiosos fanáticos? Nunca ou raramente. Em contrapartida, todo ano, todo fim de semana, todo jogo, assistimos esse tipo de coisa acontecendo e ninguém abre a boca pra criticar esses transloucados emocionais. Parece que torcedor de futebol é intocável. O fanatismo no futebol é glorificado e glamourizado.

E mais: o dono do táxi será ajudado de alguma forma? É claro que não. O instrumento com o qual ele leva comida para casa foi danificado por baderneiros de quinta categoria e ele terá de arrumá-lo por conta própria. Vai gastar um dinheiro que não estava previsto no orçamento familiar. Ele vai gastar dinheiro porque 30 macacos estúpidos não conseguem lidar com o fato de que outras pessoas torcem para outros times de futebol.

Enquanto o trabalhador levou um prejuízo, os torcedores estão livres. Soltos por aí para fazer isso no próximo fim de semana. Ninguém vai fazer nada. Não vai acontecer rigorosamente nada. Entretanto, na minha delegacia, esses rapazes seriam submetidos ao fuzilamento sumário. Morreriam no ato. Não existiriam, para nunca mais fazer isso. Essa é a punição. Agora, vai dizer isso pros sociólogos engravatados...




terça-feira, 29 de maio de 2012

Ninguém é obrigado a te aceitar


Isso mesmo. Ninguém é obrigado a aceitar ninguém. Vejam, por exemplo: as pessoas não vão muito com a minha cara por eu ser fechado e pouco sociável. Nunca fiz marcha por causa disso. Aliás, as pessoas têm todo o direito de não me aceitar, não gostar de mim e escolher não se relacionar comigo seja lá por qual motivo. E isso acontece frequentemente. Nunca fiz passeata por causa disso e nunca vou fazer. Eu sei que o mundo não é cor de rosa e que ninguém é obrigado a me aceitar.

Por que digo isso? Pois na "Marcha das Vadias" - onde há a maior aglomeração de feministas complexadas - uma das maiores preocupações delas é a questão da aceitação. É muito simples: elas querem dar para a cidade inteira sem que ninguém as jugue por isso. Vai mais: elas querem, claramente, decidir o que os homens devem gostar e valorizar. Puro controle. Não tá entendendo? Exemplifico: elas acham um absurdo que um homem recuse a namorar uma mulher por causa do seu vasto passado sexual. Só que isso não é absurdo nenhum. O homem tem total direito de escolher quais aspectos a moça deve ter para se relacionar com ele. Assim como as mulheres recusam homens baseadas em exigências brutais que elas nos impõe. O homem não pode recusar uma mulher por causa do seu passado sexual; a mulher pode recusar um homem porque ele "não tem pegada", "não tem um bom papo", "não se veste bem", "não é inteligente", "não tem atitude" e etc.

Vi nas fotos da marcha um cartaz: "Nem puta, nem santa. Mulher." É mesmo? E se eu quiser te classificar como puta ou santa? O que vai mudar na tua vida, oh feminista forte e independente? Nada! Em outra imbecil estava escrito: "não sou fast food". É mesmo? E se eu quiser achar que tu é um fast food? O que vai mudar? Nada! É uma auto afirmação infantil. Até porque mulher alguma nunca foi impedida de ser vadia ou obrigada a ser um "fast food". Eu tenho total liberdade de pensar o que eu quiser sobre a tua pessoa.

Feministas têm grandes problemas em lidar com responsabilidades e consequências. Visto que é permitido à elas - e sempre foi - se relacionarem com quantos homens quiserem, a marcha gira em torno do que os outros vão pensar. Coisa de criança. Sinto muito, vadias, mas se vocês rodarem na piça da cidade inteira, homem algum vai valorizar e querer um relacionamento com vocês. Essa é a consequência de ser vadia; e vocês têm pavor da consequência. Querem fazer o que bem entenderem e querem ser aceitas por todos. Querem viver no mundo dos ursinhos carinhosos, onde os homens devem aceitar tudo de boca fechada e vocês podem decidir o que vão valorizar ou não em um homem. Querem se entregar para 10 homens por dia na balada e querem que apareça um paspalho algum dia para assumir um relacionamento sério. As coisas não são assim, vadias.

Agora, se vocês não se importariam em namorar um cara que já comeu as tuas amigas, não queira impor essa ideia aos homens. Se vocês valorizam o comedor, nós não valorizamos a vadia. Até porque, para ser comedor, exigi-se do homem muita coisa; o contrário que ocorre com a mulher que, para ser vadia, não precisa fazer nada.

Vadias, vocês são livres. Não há lei que as impeça de se relacionar com quantos homens quiserem. Chupem quantas pirocas quiserem e arquem com as consequências de ser rejeitada para namoro por conta disso. Ninguém é obrigado a te aceitar.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O homem que sofre, sofre silenciosamente


Já cansei de ouvir gente me dizendo que, se eu falar sobre suicídio, postar coisas negativas no meu Facebook ou qualquer outra forma de expressão de tristeza, depressão e vontade de morrer, eu assustarei e, consequentemente, afastarei as mulheres de mim. O engraçado é que quando é uma mulher que faz isso, CHOVE gente querendo ajudá-la, saber o que tá acontecendo, resolver o problema dela, fazê-la feliz, agradá-la e por aí vai.

O homem comum vive na depressão. O homem comum é invisível PRINCIPALMENTE para as mulheres. Quando esse mesmo homem comum expressa a sua tristeza seja lá onde for, ele acaba afundando CADA VEZ MAIS na solidão, justamente porque o sofrimento do homem é descartado, ignorando e considerado ridículo. Um homem deprimido causa repulsa nas pessoas ao seu redor. E não pensem que eu estou atacando somente as mulheres, pois a grande maioria dos homens também se volta contra esse homem deprimido e passa a evitá-lo e a ridicularizá-lo, muitas vezes usando como justificativa que “isso afasta as mulheres”. Ou seja, quanto mais triste um homem for, mais sozinho ele será.

Com as mulheres as coisas acontecem de forma diferente. Mesmo a mulher comum (a que não é famosa, rica, bem sucedida ou simplesmente linda) é paparicada e recebe atenção de todos. Isso já é percebido na infância. Quando um menino chora, ele é corrigido, insultado e encorajado a parar com aquele comportamento. Quando uma menina chora, logo os familiares correm pra ver o que aconteceu, abraçam, protegem. Quando crescem, as coisas continuam assim. Uma mulher que expressa tristeza e solidão logo terá um mar de homens disposto a dar amor, carinho, proteção, com o objetivo de tirá-la desse estado de tristeza.

Percebo que muitos homens não expressam a sua tristeza justamente pelo medo da repulsa que ele vai causar nas pessoas, mas, principalmente, nas mulheres. O homem sofre em silencio e aquele que ousar a compartilhar a sua tristeza estará destinado ao isolamento e a ridicularização crescente.

Vamos voltar para aqueles homens que dizem para o homem triste que aquele comportamento “afastará as mulheres” dele. Eles simplesmente não percebem o quão isso é prejudical para eles mesmos. Acabam contribuindo para a decadência do sexo masculino. Em vez de o homem ajudar o seu semelhante, ele prefere comprar o discurso de mulheres que ele nem conhece e humilhar e se afastar desse homem triste. Mais uma vez, por medo da opinião das mulheres. Como eu disse, esse texto não critica apenas o comportamento do sexo feminino, mas, também, o comportamento dos homens que, cegamente, castram-se, voltam-se contra o seu semelhante por simples e pura submissão ao sexo feminino e acabam por contribuir com o sofrimento solitário e silencioso do homem comum. Enquanto eles humilham o homem fraco e triste, paparicam e ajudam a mulher fraca e triste.

O homem é e sempre foi o sexo oprimido. Mas, justamente por ele não poder demonstrar sua depressão, fraqueza ou tristeza, acabou-se criando o mito de que as mulheres são oprimidas, pois elas, ao contrário do homem, podem e sabem como ninguém expressar suas fraquezas amparadas, também, pelos burros do sexo masculino. Quando um casal termina e os dois entram na depressão por causa do término do namoro, geralmente o homem continua sozinho e triste por muito tempo, enquanto para a sua ex namorada já estarão diversos homens dispostos a fazê-la feliz. O caso da depressão é apenas mais um de muitos exemplos que eu tentarei, na medida do possível, demonstrar nesse blog de como o homem é repreendido. É por isso que eu digo para as minhas queridas feministas: vocês não sabem o que é ser homem. E, se vocês pudessem viver por algumas semanas na pele de um homem, tenho a certeza absoluta que voltariam CORRENDO para a pele da mulher.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Fumantes são ridículos

Fumantes, em geral, são ridículos. São raros os que fumam por serem viciados. Esses raros, são os velhos. Eles têm todos os motivos para acabarem caindo na idiotice de fumar, pois cresceram em um ambiente onde não se tinha conhecimento dos malefícios que isso poderia trazer. Tubo bem. Esses eu deixo passar. Mas não deixo os jovens universitários. Sempre que estou tranquilamente sentado em algum lugar do saguão da faculdade onde estudo, seja lendo algum texto, ouvindo música ou simplesmente esperando o próximo período, sou interrompido por algum jovem que acende um cigarro e assopra aquela fumaça fedorenta. Por algum motivo, sou obrigado a aturar tal situação e, se eu reclamar, sou “grosso” e “estúpido”. Sou chato, dizem eles. Chatos e estúpidos são todos vocês que acendem essa imundice e me obrigam a respirar isso.
Além do mais, me impressiona a direção da faculdade - ou quem quer que seja o responsável por isso - não ter proibido o fumo no saguão. O lugar tem teto e, caso vocês sejam burros o suficiente pra não saber disso, a fumaça sobe. Ou seja, ela não vai embora com facilidade. Ela permanece ali por horas e todos nós que não fumamos temos de aturar o fedor inacreditável dos cigarros desses imbecis. No intervalo, a situação é ainda pior. O fedor é multiplicado. É um festival de fumaça. É visível como todos que fumam ali não apenas fumam; eles desfilam. Exibem o cigarro. Alguns nem tragam. É ridículo. Fico observando os que não tragam: as bochechas incham e eles assopram a fumaça o mais rápido possível. Os que tragam, escolhem o ponto mais visível da faculdade para que todos os vejam. Alguns até fazem pose quando largam a fumaça da boca. Pensam que estão sendo fotografados, que são personagens de algum seriado ou estão em um filme. E é justamente por isso que a cena se torna ridícula e não admirável como eles acham que é. Os homens pensam que são os cafajestes galanteadores com o charme do cigarro. As mulheres pensam que passam a impressão de fêmeas fatais. Pensam que assim estão sendo mulheres seguras e independentes. Não são.
O que acontece, então, comigo e com o restante dos não fumantes? Temos que sair do lugar onde estávamos. Como a fumaça contamina todo o saguão, apenas mudar de lugar não adianta. Tenho que sair do prédio. E se estiver frio? Ou chuvendo? Ou se eu quiser apenas sentar num banco? Não posso. Seja qual for a minha decisão, ficarei desconfortável para que o ridículo do fumante tenha todas as regalias e possa aproveitar o cheiro inaproveitável do cigarro. Percebendo essa situação de histeria, pergunto: que lógica é essa? Não teria que ser o contrário? Aquele que quer fumar é quem deveria sair do prédio, ou seja, ir para o desconforto, pois é ele quem atrapalha o estado natural a sua volta. É como eu acender cordões de fedor no meio de todo mundo e, caso alguém venha reclamar - o que é muito provável -, eu argumente que gosto daquele cheiro e alegue que é um “direito meu”, como alguns desrespeitosos dizem. Que direito é esse? Fumar? Quer fumar? Lá na rua. “Ah, mas tá frio”. Que frio, safado? Tu não é o fodão viciado em cigarro? Que vício é esse que desaparece por causa do frio? Por qual motivo os meus cordões de fedor seriam reprimidos, mas não o cigarro de vocês?
Não me importo se o cigarro faz mal a saúde de vocês. Para mim, isso é algo positivo. Essa não é a minha briga. A minha briga é pelo meu sossego. É obrigação da universidade proibir cigarros dentro dela. E não importa se o saguão em questão - o da faculdade onde estudo,- é aberto. Ainda assim, esse local é configurado como parte integrante do prédio, portanto, como em todos os prédios, qualquer atividade voluntária que gere desconforto ou, como no caso, danos a saúde de quem quer que seja que ali estiver, deve ser proibida. Alguém deve tomar providências para que se instale o “proibido fumar” e faça com que os fumantes fumem apenas na parte de fora de qualquer dependência da universidade. Na verdade, o ideal seria a construção de uma caixa onde apenas lá seria permitido fumar. Isso mesmo. Trancafiados, tendo toda a sua adorável fumaça apenas para si. Será que os fodões dependentes de nicotina aceitariam? Duvido. Não teríam como se exibir para os outros. Mas, se isso fosse feito, enfim, eu teria paz. Porém sei que é um tanto quanto radical. Sou compreensívo. Podem fumar. Mas lá fora. Longe de mim.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Reclamar

Eu sou um reclamão.
Adoro reclamar.
É fácil
Me enchem o saco porque eu reclamo demais.
Dizem que de nada adianta reclamar se eu não faço nada para mudar.
Outros dizem que eu quero aparecer, ser diferente dos outros.
Uau! Me descobriram.
Mas, não sabem, o fim da reclamação não existe.
Reclamar nunca adiantou nada.
Se adiantasse, a vida de todos seria mil maravilhas.
A minha, então, seria a melhor de todas.
Mas não é assim.
E ainda continuam reclamando.
Reclamar é lindo, é puro e sincero: não há segundas intenções.
Ninguém reclama com o objetivo de mudar alguma coisa.
Para isso, existem as ações.
Todos reclamam de coisas impossíveis de serem mudadas.
Alguns do mindinho que dói após bater no móvel do banheiro.
Eu, da vida.
Apenas reclamo.
E o mindinho continua doendo.
Se formos seguir a lógica dos estúpidos,
Parem de reclamar da minha reclamação.
Afinal, do que adianta reclamar da minha reclamação se tu não faz nada para mudar?